Fraiburgo caracteriza-se por ser uma cidade relativamente nova, considerando-se as cidades circunvizinhas. Com sua emancipação em trinta e um de Dezembro de 1961 seu desenvolvimento continuou em seu ritmo acelerado, sempre impulsionado pela sua máquina motriz da época, a grande fábrica de caixas da René Frey & Irmão S.A. – Ind. e Com.
A titulo de curiosidade, sua denominação popular de fábrica de caixas foi devido ao fato daquela grande serraria, conjugada com uma então moderna fábrica de caixas, ter sua produção direcionada quase que exclusivamente para caixas de cervejas. Essas caixas foram substituídas hoje pelas caixas de plástico. Salvo engano, na época era a maior fábrica de caixas de cervejas do Brasil, cuja produção prioritária destinava-se à Brahma, a grande potência cervejeira do Brasil cujo Presidente da mesma Brahma, hoje Ambev, era Fraiburguense, mais precisamente da localidade de Dez de Novembro.
Dessa fábrica dos Irmãos René e Arnoldo Frey derivaram outros investimentos como a Vinícola Fraiburgo (hoje Agrícola) – Papelose Industrial Ltda. (hoje Trombini) e tudo isso sempre foi jogando Fraiburgo como uma das cidades que mais crescia no Estado de Santa Catarina. Essa característica foi uma constante por muitos anos.
Na primeira metade da década dos anos sessenta, Fraiburgo tinha a Rua Principal que era a Rua do Comércio – hoje Rua Arnoldo Frey, no mais eram casas esparsas pela hoje região central, tendo como fator referencial prioritário as centenas de pilhas de madeiras gradeadas espalhando por todo o hoje, centro de Fraiburgo.
A grande maioria dos trabalhadores de serviços burocráticos mais especializados, como de escritórios, eram todos recrutados das cidades vizinhas, como Videira e Curitibanos. Aqui absolutamente nada havia para se fazer nos horários de lazer. O passear era a pé porquanto ninguém, salvo os donos das empresas ou os Franceses, tinha automóvel. Para os dias de chuva as vestimentas era capa de chuva, galocha (calçado de borracha que revestia os sapatos) e guarda-chuvas.
Esse era o clima e essas eram as condições. Os trabalhadores vindos de outras cidades, dentre os quais eu, todos se reuniam nos bares, tendo como “point” o bar da Fantin, localizado onde hoje é o pátio do Big Bom. Ali não se fazia outra coisa que não o de bebericar a pinga pura – caipira – cuba – rabo-de-galo e outras modas de época, sempre permeadas por constantes brigas – facas – tiros e intervenção do policial Mário Policia.
No dia 31 de Maio de 1963 esses trabalhadores em escritórios, com alguns comerciantes e outros industriários reuniram-se pela primeira vez na casa do Sr. Antonio Porto Burda para, fora do bar, praticar os mesmos atos costumeiros ao final dos expedientes, ou seja, beber uma pinga, comer uns petiscos, jogar truco e conversa fora. Nascia aí o Clube dos Quinze, uma Instituição quase cinqüentenária e que persiste até hoje, reunindo quinze amigos e mais os amigos desses amigos para juntos participarem de um jantar com a única finalidade de cultivar amizades.
O Clube dos Quinze, no seu início, reunia-se semanalmente para um encontro despretensioso unicamente com aperitivos de bebidas e comida (basicamente cachaça pipa-oca e lingüiça), com o passar dos tempos foi se sofisticando, passando a ser um jantar onde um dos associados pagava para todos, aliás, tradição que permanece até os dias de hoje.
São mais de quarenta e três anos que o Clube dos Quinze existe composto sempre por quinze elementos, acrescidos de um a três convidados especiais que hoje se reúnem sempre, quinzenalmente, às terças-feiras. Lá continuam participando de jantar pago por um dos participantes. Lá continuam bebericando as bebidas populares de hoje. Lá continuam participando das rodadas de brincadeiras Lá continuam deixando de lado os assuntos profissionais do dia a dia, deixando de lado os assuntos de política e deixando de lado os assuntos religiosos. Essas exclusões é o resultado das experiências negativas do passado.
Clube dos Quinze tem como única finalidade CULTIVAR AMIZADES o que vem exercendo há mais de quarenta e três anos ininterruptos tendo construído uma história registrada em atas, as quais, em parte, já foram compiladas em livro próprio que por si só mostra o lado cômico da história de Fraiburgo. João Oiris Gugelmin – o Tio Guja – é a história viva dessa Organização, porquanto é o único fundador remanescente e que no Clube permanece até os dias de hoje, Aliás, Gugelmin é a própria história de Fraiburgo porquanto participou de tudo o que é importante em Fraiburgo. Gugelmin é o retrato de nossa historia e que merecerá minha especial reverência.
2 comentários:
Amigo flávio, parabéns pelo seu blog, dei uma boa olhada e li algumas matérias, achei todas interessantes, mas a do clube dos quinze "ESTA É ESPECIAL" sei que meu pai também teve uma participação assando alguns churrascos e principalmente michuim, mas o que nos chama atenção é os 43 anos de existência "ISSO É MARAVILHOSO" poucos grupos conseguem esta marca, ou melhor bem poucos. Este é o resultados das boas amizades...parabéns e continuem CULTIVANDO AMIZADES...Abração. Cersão.
Tem que citar os nomes dos fundadores.
Abraço
Bia Karasiak
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