O idioma dos povos, em qualquer língua falada, é movido por expressões que melhor traduz o sentido daquilo que alguém deseja transmitir. No português existe a expressão “Amigo dos amigos”, que no dicionário Aurélio é traduzido como “aquele que se mostra amigo verdadeiro, excelente; amigo do seu amigo.”
Para todos existem amigos que ficam para sempre gravados no coração das pessoas. Uns se apegam a outros, mas não são amigos; outros têm pessoas ligadas, mas não têm amigos; outros mais, têm poucos amigos, no entanto, existem poucos que têm muitos amigos – são os amigos dos amigos.
A cidade de Videira tem o privilégio de ter muitos cidadãos amigos, pessoas extremamente afáveis, no entanto existiu uma pessoa que foi um luminar que veio a esse mundo e escolheu a cidade de Videira para transmitir as luzes de seu bom caráter, as estrelas da sua sensibilidade e o resplendor do privilégio da sua amizade – GABRIEL BOGONI.
Como já disse em artigos anteriores, meu compromisso para com essa coluna é escrever sobre assuntos que meu coração ditar, que minha revolta me permitir e que meu bom senso me obrigar. Sobre Gabriel Bogoni meu coração há muito vem palpitando para mostrar, não o lado político, não o empresário nem o pai de família – meu coração está gritando há muito tempo para mostrar o Gabriel AMIGO DOS AMIGOS.
Esse homem, na sua intimidade, deu-nos os maravilhosos ensinamentos da verdadeira amizade, da leal parceria e do bom senso. Nunca participei da vida particular, dos negócios, do trabalho ou da política de Gabriel Bogoni. Desde há muito anos, no entanto, convivi dos seus momentos de descontração, dos jantares descompromissados nas noites frias. Dos bebericares descontraídos dos finais de tarde, onde, muitas vezes cansados, nos encontrávamos na companhia de vários amigos de Videira ou de Fraiburgo, para sorvermos as cervejas caprichosamente geladas ao ponto ideal ou os bons vinhos de castas uvas viníferas.
Gabriel Bogoni sempre regeu com incomparável maestria a necessária separação entre os interesses profissionais ou familiares e, principalmente, os políticos, do cultuar dos verdadeiros amigos. Nessas mesmas deliciosas noites descontraídas, por inúmeras vezes, dialogamos sobre a nossa política regional, onde ele, um dos grandes líderes do PMDB, venerado pelos seus correligionários, Prefeito Municipal por duas vezes da cidade de Videira, expunha suas convicções, defendia seus ideários, mas, acima de tudo, sempre soube respeitar aqueles que seguiam linhas políticas diferentes, como era o meu caso.
Inúmeras foram as ocasiões em que Gabriel sentou-se à mesa com adversários políticos respeitáveis que aos olhares do público criariam enormes espantos, no entanto, sua fidalguia fazia com que esses mesmos adversários se sentissem muito bem em sua companhia.
Esse cidadão sempre se preocupou com seus verdadeiros amigos chegando ao ponto de, inúmeras vezes, convence-los para, juntos, viajar rumo a outras cidades distantes para comemoração do aniversário de um de seus amigos do coração. Uma caso concreto foi a visita ao nosso amigo e compadre Osnir Ribeiro, com duas pernas amputadas, adstrito aos passeios em sua cadeira de rodas, dentro da área de sua residência, muitas vezes por períodos superiores a seis meses. Gabriel obrigou-nos, em companhia de outros amigos comuns, a viajarmos rumo a Florianópolis unicamente para comemorarmos em forma de surpresa o seu aniversário. Tais gestos resultaram em momentos da mais profunda emoção para todos. Gabriel fazia isso constantemente para com os seus amigos do coração. Ele sabia emocionar aos que privavam de sua amizade.
Gabriel deixa-nos um legado de exemplo de amigo leal e verdadeiro, confiando cegamente naqueles que nele confiavam e tal legado sempre ficou estampado para aqueles que a ele recorriam para a solução de seus problemas. Gabriel foi gourmet dos mais refinados, exímio cozinheiro, sempre surpreendendo com as mais requintadas novidades de verdadeiros manjares. Gabriel sabia comer muito bem e sabia beber o que de bom pode ser definido. Inúmeras foram as vezes em que nós procurávamos beber um vinho que criamos ser um bom e barato e aí mesmo éramos alertados para tomarmos o bom vinho que nos apetecesse, independente de seus custos porque Gabriel sempre dizia: “na nossa idade se tivermos vontade, aproveitemos para comer, beber ou comemorar porque não sabemos o dia de amanhã” – Sim Gabriel esses mesmos teus amigos aqui estão seguindo teus ensinamentos. Fica com Deus, amigo. Você jamais será esquecido por que você sempre souber cultivar amigos.
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