terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AMAZÔNIA – Uma reflexão para todos nós. (publicado no Jornal O Catarinense em 2007)

A Igreja Católica celebra todos os anos na quaresma (nos quarenta dias que antecedem a Páscoa) a Campanha da Fraternidade e, nesse contexto, o tema central está focado numa reflexão sobre a Amazônia.
Naturalmente que a Igreja Católica dá uma abrangência muito mais ampla nas questões Amazônicas como um todo, mas, de um modo especial, seus povos, suas necessidades, suas carências e a urgente preocupação que o restante do mundo deve começar a ter para com essa região e com esses povos, em sua maioria excluídos.
Numa missa de um domingo recente, em participando desse ato religioso, antes da celebração, lia eu folhetim alusivo às mensagens da Campanha da Fraternidade e impressionaram-me os números aí apresentados e sobre os quais, em face ao tempo que dispunha naquele momento para a leitura, passei a refletir.
Esses números, com certeza, são absolutamente desconhecidos dos brasileiros e impressionam pela magnitude e pela importância que a Amazônia representa para o mundo.
O território da Amazônia Pan-americana representa 5% de toda a superfície da terra – 40% da América do Sul e 60% do território Brasileiro. Nesses 60% do território brasileiro estão inclusos os Estados de – Acre – Amapá – Amazonas – Pará – Rondônia – Roraima – Tocantins – parte do Maranhão e Mato Grosso.
O que mais impressiona é a sua capacidade de abastecimento de água potável para o mundo, porque essa mesma região da Amazônia legal tem 20% da disponibilidade mundial de água doce não congelada e 80% da água disponível para o território brasileiro. Se pararmos por instantes para refletirmos sobre esses números, aos poucos vamos percebendo da importância vital da preservação da Amazônia como um todo porquanto representa essa região, não só “o pulmão do mundo”, como sempre se soube no jargão popular. Sem sombra de dúvidas a magnitude dos números representativos da capacidade de abastecimento de água para o mundo dá à Amazônia o “status” de bioma mais importante para a sobrevivência do ser humano na terra. Naquele dia passei a entender que a Amazônia, indubitavelmente, é uma área de segurança para o mundo. Mais dia ou menos dia, com o caminhar do progresso desmesurado que vem ocorrendo nas últimas décadas, a Amazônia representará cada vez mais um pólo vital e merecedor das especiais atenções dos dirigentes maiores do mundo e palco dos grandes debates nos Fóruns mais seletos do Globo Terrestre.
Impressiona ainda dizer que essa mesma região Amazônica detém em seu colo 30% de todas as espécies da Fauna e de toda a Flora existente no mundo. Representa um terço de toda a diversidade da vida animal e vegetal que existe no mundo. Pode o nosso caro leitor ter idéia da magnitude que isso representará para o futuro da humanidade? É incalculável. Inimaginável.
E tem mais. O sistema fluvial Amazonas, formado pelo próprio Amazonas e mais os Rios Solimões e Ucayalli representa o mais extenso rio do mundo, com 6.671 quilômetros. Somente o Rio Amazonas lança no Oceano Atlântico entre 200 e 220 mil metros cúbicos de água por segundo. Como parâmetro de comparação em minha residência tenho uma caixa de água com capacidade para 1 mil litros de água que, em média, utilizo por dia, ou seja, aos meus parâmetros somente o Rio Amazonas lança ao mar água potável e disponível para o consumo humano para 17 a 20 milhões de consumidores por dia. Somente o Rio Amazonas. Nisso está excluído, por exemplo, o Aqüífero Guarani, o maior reservatório de água do mundo.
Esse mesmo Rio Amazonas lança ao Oceano Atlântico a gigantesca quantidade de material sedimentar composto por minérios, material orgânico e outros sedimentos, calculada em 1 bilhão de toneladas/ano, tornando brutalmente férteis toda a orla marítima do Nordeste Brasileiro – Atlântico Norte – Ilhas do Caribe e adjacências.
Essa é a importância da nossa Amazônia, hoje, por nós Brasileiros, relegada a um segundo plano desconhecido mas que num futuro não muito distante representará a equivalência, ou mais, aos milionários poços petrolíferos do Oriente.
Atualmente faço parte do CGFLOP – Comitê Gestor das Florestas Públicas, junto ao MMA – Ministério do Meio Ambiente – como membro representante da CNI – Confederação Nacional da Indústria com a finalidade precípua da organização de um manejo sustentável com foco primeiro na preservação do Meio ambiente. A Lei 11.284 e sua Regulamentação foram por nós exaustivamente debatidas em Brasília, sendo esses estudos, Lei e Regulamentos os grandes passos para uma exploração racional fundada no manejo sustentável.

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