terça-feira, 28 de dezembro de 2010

RENE CARLOS FREY – um desbravador, um visionário, um herói. (publicado no jornal O Catarinense em 2006)

O mundo é feito de homens e mulheres com os mais diversos matizes de idoneidade, onde para uns a ética moral é o grande luzeiro de suas vidas, para outros nem tanto. Para uns a audácia é a tônica. Para outros a capacidade de trabalho.
Existe, no entanto, uma plêiade de homens e mulheres que são detentores de qualidades verdadeiramente singulares, que são os raros desbravadores. Em Santa Catarina coloco nesse seleto rol - homens raros – homens magníficos – homens verdadeiros – homens com o quilate de Atílio Fontana – Saul Brandalise – René Carlos Frey, dentre outros. Esses foram realmente desbravadores.
Todo o desbravador é um homem obstinado e que, em muitas ocasiões, caminha exatamente em direção contrária a todos os demais que o cercam. O desbravador é um homem singular e absolutamente antenado com tudo o que pode acontecer ao seu redor, sabendo tirar todas as lições do que aconteceu com o passado e sempre atento com o que pode acontecer com o futuro. O desbravador é sempre um homem maravilhoso, cujos ensinamentos, nós, simples homens do momento, não conseguimos captar no andar normal da humanidade. Não conseguimos acompanha-los porque somos homens e mulheres normais e afeitos às previsões dos nossos interesses momentâneos, dos nossos interesses pessoais e sem uma visão holística, sem uma visão clara do que pode acontecer à frente dos nossos olhos. Os desbravadores são homens diferentes, são homens que não olham o agora, não vislumbram o momento. A visão desses homens magníficos foi feita para o além, foi feita para ver as imagens do futuro e, baseados nessas elucubrações do momento, para muitos pensamentos loucos, lançam-se à toda força na busca do futuro por eles projetado. Assim foi René Carlos Frey.
Esse homem foi simplesmente genial. Em seu coração sempre senti palpitar a adrenalina dos grandes heróis. Ele foi um exemplo de herói. O desbravador nato. O líder inconteste. O homem que sempre soube conduzir obras, conduzir gente, conduzir corações.
René, quando chegou ao então Campo da dúvida (hoje Fraiburgo), às sombras dos pinheirais de Butiá Verde, das centenárias araucárias, falando para sua eterna companheira, para sua amante e única amada Maria, no primeiro dia, com seus olhos lançando chispas da adrenalina dos desbravadores já fazia planos onde seria sua serraria. Onde seriam as ruas para os passeios dos que aqui viessem morar, projetava em sua cabeça uma vila maravilhosa e uma cidade cheia de homem e mulheres felizes.
Sou testemunha de fatos interessantes que sempre marcam as pessoas e que, em sua somatória, delineamos os grandes desbravadores. Aqueles homens que olham para alem das montanhas, sonham para além das nuvens sombrias. Eles enxergam não as borrascas, não as tempestades, não a negritude dos cumulus carregados de energia desencadeadoras das tempestades. Eles vêem por entre tudo isso o azul do céu.
René foi assim, após uma de suas viagens rotineiras pelo velho mundo europeu, aproveitando os espólios da guerra da independência da Argélia, soube aproveitar do exato momento e convidou empresários do velho mundo para aqui implantarem novos negócios. Foi assim que se iniciou o grande negócio das maçãs de Fraiburgo e do Brasil.
Foi assim que, da França e da Argélia, para cá vieram Albert Frederich Marie Mahler – Gabriel e Henry Evrard – Roland Mayer – Roger Biau – Antoine Ferrandis.
Esses também fizeram a história de Faiburgo e que também merecerão meus artigos.
Na segunda metade da década de 1970, Rene C. Frey inventou de construir um hotel moderno em Fraiburgo. Loucura absoluta para a época. Fraiburgo era uma região distante dos grandes centros. Ausência total de qualquer infra-estrutura para o turismo. René foi considerado louco, excêntrico. Aí está o resultado. Um dos orgulhos de Fraiburgo.
E a Serraria de pinus construída pelo René, contra tudo e contra todos? Loucura absoluta ao construir uma serraria para uma madeira “mole”, repleta de resinas, jamais seria possível a utilização daquela madeira para móveis. Aí está uma fabrica de móveis da modernidade. Nos idos dos anos 60 incentivava a todos para plantar pinus que seria o pinheiro do futuro. Esses são os desbravadores. Esses são os visionários. Esses são os heróis. René foi um herói.

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