terça-feira, 28 de dezembro de 2010

DEMOCRACIA – o eterno modelo de fazer política. (publicado no Jornal "O Catarinense" em 2006).

A palavra DEMOCRACIA foi trazida para a língua portuguesa de um dos seus berços, que é o grego, significando, originariamente, O GOVERNO DO POVO.
Se analisarmos concretamente e procurarmos fazer um estudo com o pé no chão e isento de qualquer paixão ideológica ou partidária, veremos que realmente no Brasil a Democracia prevalece como o exercício do poder do povo.
Esse fenômeno é uma das coisas belas que vemos se tornando a grande realidade e que todo o brasileiro já está encarando como algo absolutamente natural.  Passaram-se os tempos em que um grande contingente dos eleitores exercitava seu sagrado direito de votar sob o comando de seus patrões, seus superiores ou seus genitores. Isso pode ocorrer em pontos isolados desse imenso território brasileiro, pode ainda ocorrer sob o teto de lares isolados onde, ainda, a determinação do chefe da casa é o paradigma para toda a prole.  Cada vez mais, no entanto, vai se tornando fato isolado.

O brasileiro é detentor de um senso crítico “sui generis” uma vez que passa às margens dos tempos fervilhantes da política demonstrando um desinteresse aparente, No íntimo, no entanto, vai formando sua opinião, desaguando-a nas modernas máquinas repositórias do voto inviolável de cada eleitor.
O eleitor moderno no Brasil, ao exercer seu personalíssimo direito de votar, o faz de maneira consciente e levado pelo seu sentimento de que aquilo que está fazendo é o absolutamente correto, independentemente da vontade daqueles que tentam incutir em suas mentes verdades diversas da sua verdade.

Lula e Maluf são dois exemplos que merecem nossa especial análise, como detentores de senso crítico e que procuramos entender a dinâmica dessa coisa maravilhosa que é a Democracia. Deixemos de lado os fatos se o primeiro foi conivente ou não a essa roubalheira desavergonhada que assolou o Poder Central. Deixemos de lado se o segundo apossou-se indevidamente de fortunas dos cofres públicos.  Vejamos simplesmente o fato de que Lula e Maluf, em meio às chafurdas que os envolviam foram os campeões de votos, num sistema democrático, livre e absolutamente transparente.

Lula venceu a eleição com o maior numero de votos que um brasileiro já teve.  Maluf foi o Deputado Estadual mais votado no Brasil. A “prima facie” vem-nos a mente um instinto de revolta pelo fato do eleitor brasileiro não saber votar, nem estar se interessando pela idoneidade de seus candidatos.

Permito-me discordar desse raciocínio, discordância essa fundada tão somente depois de buscar incessantemente entender o por quê desse fenômeno.  A verdade é que o eleitor brasileiro, no seu íntimo, vai produzindo seus ícones, seus heróis, aqueles que hoje ou um dia no passado foram os paradigmas do político ideal. 
A figura do herói, escondida no subconsciente, se aflora quando essa pessoa apresenta-se novamente como candidato salvador da pátria e, naturalmente, o sentimento da imediata empatia do passado volta à realidade do detentor do voto.  Esse sentimento das coisas boas do passado volta determinando a sua opção pelo voto. O eleitor não vota analisando a realidade do presente, mas tão somente na pessoa que aquele seu ícone foi no seu passado e que sempre povoou seu imaginário. Lula sempre foi o eterno candidato que se identificou com o trabalhador simples, como um do seu meio.  Maluf sempre foi construído no imaginário do eleitor brasileiro como aquele que realiza trabalhos que saltam às vistas de todos. Como um trabalhador inveterado e como um homem de inteligência privilegiada.  Ambos são heróis para parcela significativa dos brasileiros e sempre serão detentores de muitos votos independentemente do que se disser sobre eles.

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