A sintonia dessa maravilhosa orquestra que se chama Universo é algo indescritivelmente maravilhoso porque, absolutamente, tudo funciona na mais perfeita sintonia, onde a magnificência do cosmos somente pode ser entendida como a presença de Deus em nosso meio.
Fazendo parte dessa sinfonia, aqui estamos nós, insignificantes seres humanos, como a imperceptível peça dessa grande orquestra. Com o passar dos séculos, no entanto, nós também fomos tomando o formato dessa grande orquestração e nossos hábitos, nossos gostos e nossos próprios organismos foram sendo forjados ao estilo do andar dessa orquestra. Nós como seres humanos, fomos formando nosso “modus vivendi” criando nossas próprias regras, encontrando nossas próprias soluções e adaptando nossas condições físicas aos nossos próprios tempos.
Nesse contesto o ser humano para tudo tem seu tempo – tem seu tempo para produzir, para descansar – tem seu tempo para sonhar, para amar – tem seu tempo para pensar, para ser feliz.
Para os intervalos para descanso foram criados os feriados, as férias, os domingos. Para repensar suas vidas e para orar foram criados os dias santificados. No rol desses dias santificados, para os cristãos, foi criado o Dia de Natal – comemoração do nascimento de Jesus – o Filho de Deus – nosso Irmão.
Nos tempos hodiernos, Natal continua sendo uma data muito importante, no entanto, quando me vejo recluso em meu pensar interno. Quando me recolho à intimidade do meu ser. Quando me integro ao círculo de minha Cadeia de União, cada vez mais sinto minha consciência trazer à tona o primado da dúvida e, por vezes, internamente contestando se os atos mundanos da distribuição de pequenos presentes, chocolates, econômicas cestas básicas são realmente a representação do nosso auxílio aos que são desprovidos de uma condição de viver digno.
Isso merece uma profunda reflexão de nossa parte, para analisarmos até onde é válida a distribuição dessas benesses, nessa época, sob o pretexto de auxiliarmos aos necessitados. Analisemos melhor. Nessa época de Natal e na de Páscoa todas as pessoas pouco mais aquinhoadas, todas as pessoas que conseguiram um bom padrão de vida, graças, acima de tudo, ao seu trabalho, procuram distribuir cestas básicas – pequenos presentes – doces – regalos raros na vida dos que nada têm. Essa distribuição é feita de maneira espontânea e toda ao mesmo tempo, ou seja, nos demais tempos do ano nada a eles é distribuído. No Natal o excesso, a extravagância, o desperdício. Será que isso realmente é algo benéfico?
No bojo dessa dúvida resta-nos uma outra interrogação. Será que, no fundo, no fundo, não estamos fazendo essa distribuição para satisfazermos nossa consciência pelo pouco que fazemos em nosso dia a dia para auxiliar a esses mais necessitados? Que tal questionarmos o por quê de não fazermos isso mesmo em épocas que não são as dessas festividades?
Confesso, nessa coluna que me foi cedida para escrever algo que se possa dar para refletir, que nessa época sinto-me envergonhado quando veja, aos finais de tarde, nos domingos ensolarados, pessoas transitando em veículos, principalmente em camionetas enfeitadas, todos com gorros de Papai Noel procurando demonstrar a todos que os estão vendo “olha estou indo dar presentes aos pobres”. Será que isso é correto? Repito o que há muito tenho dito em outras oportunidades e nos mais diversos locais – Será que isso está servindo para realmente auxiliar aos desprovidos de maiores recursos ou está sendo feito para acalmar nossa consciência pelo pouco que temos feito no decorrer do ano? Será que estamos realmente auxiliando com as migalhas que damos de nossos bolsos? Será que não estamos fazendo toda essa demonstração para que todos vejam que somos mulheres e homens bons? Se assim estivermos fazendo, desculpem-me, mas está tudo errado. A distribuição de renda não é só obrigação dos Governos, das Empresas, das Entidades. Podemos fazer a nossa parte auxiliando no dia a dia. Os Necessitados precisam comer todo o dia. Precisam emprego todo o dia. Nós também podemos fazer nossa parte auxiliando alguém todo o mês, toda a semana ou que sabe, todo o dia. Que tal fazermos a nossa parte?
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