quinta-feira, 25 de agosto de 2011

COMO É BOA A NOSSA VIDA DO INTERIOR

 (esse artigo escreví em 2006)
Desde há muito tenho o saudável hábito de visitas interioranas, outrora com freqüência constante, nos dias atuais nem tanto, mas ainda reais. Meu hábito estende-se para rever aqueles velhos amigos da política de outrora e, ao mesmo tempo, aproveitar para participar das festas de igreja. Nessas festas toda a Comunidade participa do culto religioso nas primeiras horas do dia, sendo a saída da Igreja um momento especial porque é para esse que todos colocamos a melhor veste, o sapato novo, estamos de cabelo cortado, enfim, todos, homens e mulheres estamos bonitos para homenagear os festejos.

Como são bons esses dias maravilhosos que ao sair da Igreja nos encontramos com velhos amigos, ficamos numa felicidade só quando vemos aquele senhor já alquebrado pela idade, vindo ao nosso encontro sorrindo o sorriso dos homens bons.   Como é bom encontrarmos aquela senhora toda faceira com seu vestido novo, com seu filho pequeno às mãos, vindo ao nosso encontro para demonstrar a surpresa em nos ver novamente naquela comunidade.
Sim, isso tudo é maravilhoso. Como é bom sentirmos o pulsar do coração jovem extravasando um misto de surpresa com alegria contida, de rubor nas faces com o leve suar na testa, transparecendo a alegria em nos encontrarmos novamente.

Eu gosto muito disso. Eu gosto demais em encontrar as pessoas nos folguedos dos dias santos.  Como é bom a gente chegar nessas Comunidades e nos encontrarmos junto ao local anexo à churrasqueira e lá ficarmos escolhendo os melhores espetos, aqueles espetos de madeira de guaramirim, escolhendo os melhores pedaços.   Como é bom vermos aquela montanha de carne aos poucos diminuindo seus volumes porque já foram escolhidas, pedaço a pedaço, uns para o almoço em família no próprio pavilhão da Igreja.  Outros para levar para casa porque a mãe está doente, porque precisa cuidar da “criação”.  Como é bom ver aquelas mãos grotescas e calejadas pelo arado do dia e pela enxada do sol a sol manuseando aquelas carnes com a mais absoluta inocência da ausência de higiene, aliás, salutar falta de higiene, porquanto isso tudo prova que faz parte de uma cultura sendo que nunca houve qualquer problema de saúde em face desse tipo de atitude.
Eu adoro tudo isso porque vejo como é bom comprarmos aquela maionese bem amarela, feito com o amor da “nona”, “della mare” ou aquela cuca deliciosa que só nas festas encontramos (talvez seja o gosto provocado pelo momento), feitas pela “homa” ou pela “mama”.  Tudo isso, mais umas porções de pão amanhecido, ao estilo borracha e acrescido de umas cervejas (normalmente quentes) e gazoza.
Que delícia pegarmos nossas famílias, nossos amigos, todos esses manjares, nos acomodarmos à beira de uma árvore frondosa e debaixo de suas sombras colocarmos o espeto no meio de todos, a maionese, os pães, a cuca, as gazozas e as cervejas sobre a grama, quando muito sobre um pano para o pão e a cuca e nos fartarmos com esses alimento insubstituível.  Como é bom passarmos o canivete ou aquela velha faca, normalmente sem fio, naquela carne gorda e ficarmos jogando conversa fora enquanto nos batemos com um pano qualquer para nos livrarmos dos borrachudos que insistem em nos picar.  Com é bom, ao final, daquele almoço delicioso, colocar os restos daquela carne, dos pães, da cuca na sacola ou alforjes e levarmos para nossas casas para o jantar do mesmo dia.
Esses são momentos simples, que paulatinamente estão desaparecendo dos nossos meios, tudo conduzido pela modernidade dos novos tempos.  Naquele tempo, com certeza, éramos muito felizes e nem conhecíamos a palavra “stress”.

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