quinta-feira, 30 de maio de 2013

CLUBE DOS 15 – 50 anos hoje.

Dia trinta e um de Maio de 1963, sexta-feira, quinze amigos, na então cidadezinha de Fraiburgo, popularmente e mais conhecida como localidade de Butiá Verde, num entardecer ensolarado, friozinho leve daqueles convidativos para que se cultue deliciosamente das benesses de uma folga preguicenta, alguém, talvez um José Fantin, do alto do balcão do seu bar pede ao colega Ivan Antunes de Souza, “vamos fazer um piquenique na Fazenda dos Rocha agora. Vamos curtir a nossa preguiça”? Tio Guja (João Oires Gugelmin), vamos, esse nunca diz não para uma boa festa. Vamos Carlinhos Abreu? Eurides? Valim? que tal ..? Vamos convidar o jovem Egon Frey? Eu sei que ele vai. Ahh vamos levar do Adalberto Burda, e o Jaime Rudolf, com certeza irão também ... e a turma foi aumentando e lá se foram quinze, na época jovens, quase todos solteiros, rumo a Fazenda dos Rocha e lá se deitaram na relva macia e considerando o ineditismo do convite, o sol relaxante, aquele friozinho convidando para um convívio entre amigos. Alguém levou linguiças feitas no açougue do Valim compradas umas “brahminhas” no Bar da rodoviária do Fantin, dois pães feitos em casa na comercial Marly, toalhas na Casa Sonora, todos na carroceria do caminhão do Rivair.
Assim foi fundado o Clube dos quinze no dia trinta e um de Maio de 1963.
Naturalmente que essa é uma estória para, brevemente, ilustrar o ambiente da época. Na realidade foi nessa época que esses mesmos jovens, solteiros em sua maioria, na pequena cidade de Fraiburgo, reuniram-se com mais uns, formando um grupo de quinze pessoas. Passaram a reunirem-se semanalmente para um aperitivo à base de linguicinha, pão e muito vinho, cerveja, pinga da boa e papo do muito bom. Esse primeiro encontro foi realizado na residência do Antônio Porto Burda. Os encontros foram sendo repetidos semanalmente, depois de uns trinta anos, passou a ser quinzenal ... foram .... foram ... entra gente .. sai gente ... sempre só quinze até hoje, dia trinta e um de Maio de 2013, quando está sendo realizado um jantar festivo de 50 anos, no velho e outro companheiro dos velhos tempos – O bom Clube Fraiburguense – cuja história também merece ser contada a prosa e verso porque sua permanência até hoje também é uma epopeia.
Pelo Clube dos Quinze passaram grande parte das pessoas ilustres de Fraiburgo, políticos, autoridades, visitantes das mais diversas cidades e em seus memoriais podemos ver e ler a história de Fraiburgo pelo seu lado pitoresco onde estão registrados os nascimentos de senhoras e senhores que hoje já são avós e avôs. Por seus registros vemos o “modus vivendi” de jovens e adultos de uma época em que ninguém possuía automóvel, a exceção de pessoas de mais idade em diante. Vemos uma cidade sem um centímetro de estrada asfaltada ou com calçamento, mesmo que em pedra irregular. Vemos uma fábrica de papel que foi instalada “lá no fundo, depois do mato”. Vemos uma cidadezinha somente com uma central de telefone com possibilidade de comunicação só entre poucas empresas e pessoas selecionadas, sendo que para ligação para outra localidade somente um telefone e localizado próximo ao escritório da empresa Rene Frey & Irmão S.A. Vemos uma cidade com muita lama e todos, por suas estradas, caminhando sob guarda-chuvas, capa de chuva e conhecidíssimas, na época, galochas. Vemos todos os jovens trabalhadores na cidade, reunirem-se religiosamente em todo o anoitecer no bar da Rodoviária do Fantin bebericando uma boa pinga, cerveja, vinho e seus sucedâneos. Vemos uma cidadezinha tendo, semanalmente, como quase que natural, assassinatos a tiros ou facadas. Esperava-se o final da semana para saber quem tinha morrido e quem matou. Vemos uma cidadezinha apelidada de “fraicong” em face das violências correlacionando-as à guerra do Vietnam, no combate aos violentos ataques dos Vietgongs. Esse foi o nosso ambiente em que os então membros do Clube dos 15 conviveram pacificamente, porque o lema da época e até hoje, desse Clube que é CULTIVAR AMIZADES.
O Clube dos 15, desde sua fundação e até hoje se reuniu religiosa e semanalmente e posteriormente a cada quinze dias, sem jamais ter ocorrido qualquer interrupção. O associado mais importante e mais querido é o amigo JOÃO OIRES GUGELMIN, único fundador, associado também ininterrupto, sendo o segundo mais velho eu, Flávio Martins, ingressado em 18.10.1968, quinze dias depois de casado. Esse Clube não tem mensalidade ou outro compromisso qualquer que não o de reunir os amigos. Fazem parte efetiva quinze associados, tendo sempre dois ou três “perus” que normalmente são os que substituem os que saem, morrem, desaparecem, fogem, abandonam, enjoam, pão-duros, mão de vacas, que as mulheres mandam, medrosos para sair a noite, devedores de jantares e outros maus elementos. A cada jantar um dos associados, obedecendo a uma escala, paga todas as despesas independendo do que comeram, beberam e números de pessoas presentes. Parabéns Clube dos 15. Viva mais cinquenta anos.

publicado no jornal O CATARINENSE - ano XIII - nº 626 - 31.05.2013.

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