Em minha experiência pelas andanças no mundo, em muitas vezes, de forma hilária, tenho sido contestado quando me utilizo de argumentos pífios para justificar minha preguiça para não realizar determinadas viagens. A contestação mais original que alguém já utilizou foi a de que eu deveria viajar para "tomar um banho de civilização".
Naturalmente que os argumentos técnicos ou mesmo de necessidade são outros, e, de necessidade eminentemente profissional. Embora de formato hilário o "tomar um banho de civilização" realmente expressa uma verdade inequívoca em determinadas ocasiões e, em viagem recente percebi a plenitude dessa afirmação.
A cidade de Sevilla, na Espanha, é um magnifico exemplo da força de um povo que gravou na história dos tempos o marco de sua gente.
Aí ainda existem sítios arqueológicos cuidadosamente preservados que remontam aos tempos do império romano e na cidade de itálica, muito próxima a Sevilla, ainda existem os restos do palácio imperial de dois imperadores romanos da própria região siciliana.
Em tudo Sevilla inspira história.
Edificações que remontam há mais de um mil anos. Portais de bronze em igrejas que remontam à dominação dos mouros, a catedral "geralda" emocionando pela grandiosidade monumental com detalhes estritamente diferenciados dos monumentos do Velho Mundo. A cultura é algo também que diferencia a cidade do resto do mundo. As touradas é cultuada por toda a gente espanhola (naturalmente com crescente oposição). As arenas de "toros" são monumentos de arte, de conforto, onde vale, não só o embate com os toros preparados somente para essa única apresentação, com também, e principalmente é um desfile de cerimoniosa tradição. O balé dos toureiros é algo a parte. O touro é um animal belíssimo, os cavaleiros com possantes cavalos da Andaluzia revestidos com lindas proteções de aço para o primeiro embate. As artísticas lanças, multi-coloridas, cravadas no dorso do animal por um toureiro extremamente atlético levanta as multidões num delírio difícil de ser entendido por nós, brasileiros, porquanto, progressivamente vai se percebendo o paulatino ataque a um animal bravio.
A apoteose do espetáculo tem seu apogeu com a estocada final contra o touro abatendo-o em plena praça, ante aos milhares de fanáticos torcedores, ora ovacionando o toureiro e ora o próprio touro. Ao final uma dupla de mulas, regiamente coloridas, fazem o serviço final de tripudiar o animal abatido arrastando-o, em dispara corrida, para os túneis da arena.
Para nós, não afeitos a esse tipo de agressão, o choque é terrível e incomparavelmente mais impactante a qualquer outra agressão a animal praticada no Brasil. Aí vemos que realmente somos um povo pacifico e contrário a violência de qualquer espécie.
Os espetáculos das musicas flamencas são algo deslumbrante. As musicas e as danças são algo indiscritível. As mulheres com seus vestidos longos e insinuantes. As castanholas. As musicas flamencas. Enfim, tudo inspira muita sensualidade. As e os dançarinos transmitem sensualidade e expressões realmente envolventes. Todas as mulheres ficam lindas dançando e cantando. Tornam-se sensuais, desejadas e maliciosamente provocantes. Até as feias tornam-se mulheres lindas.
Show especial é apresentado num bairro simples da bela Barcelona. O show da LOLLA. Um local relativamente discreto com show de música flamenca realmente "raiz", sem as preparações próprias para turistas. Lolla é uma senhora magnifica. Uma potência de voz fora do comum. Um cantar com o coração que poucas vezes em minha vida vi alguém externar tais sentimentos com tamanha intensidade. Naquele local senta-se para ouvir e apreciar a verdadeira música flamenca.
Impressionante o domínio que a Lolla tem sobre a platéia. Lá não se usa instrumento de som. O canto é ao natural. O publico começando conversar num tom pouco mais alto, essa artista num simples olhar e num simples chiado de pedido de silencio faz com que a platéia (quando digo platéia, trata-se de nada mais que cinqüenta pessoas) retorna ao silencio ideal para ouvir e sentir a verdadeira arte do cantar. A verdadeira arte do sentir e a verdadeira arte da maravilha.
A dança é realmente algo divino. O casal baila na ponta dos pés, bem próximo um dançarino do outro, olho no olho, o movimento sensualíssimo, muito próximos mas sem se tocarem. Algo simplesmente espetacular, sem a sofisticação dos espetáculos turísticos mas com o verdadeiro sentimento de uma alma romântica e de um coração disposto ao amor.
A Espanha, ao que sinto, é uma extensão de nossa casa no Brasil. Lá nos sentimos realmente em casa. A língua é extremamente simples para nós os brasileiros. Espanha é realmente encantadora.
publicado no jornal O CATARINENSE - ano XI - nº 523 em 10.06.2011 e dia 08.07.2011 edição nº 527.
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