domingo, 3 de abril de 2011

GOVERNADOR COLOMBO – Um desafio e uma esperança.

A história dos governos remonta desde os primórdios dos tempos em que o “homo sapiens” vivia nas cavernas e lá exercia o seu poder de mando para sua sobrevivência e dos seus. “Esse “dos seus” nada mais era que os que os temiam, os que obedeciam suas regras embora não predeterminadas, mas regras. Assim era um governo porque existia alguém que organizava, que liderava e que mandava, ou seja existia uma hierarquia, embora fosse a do medo, a do mais forte a do que detinha a força. Com o passar dos tempos esse poder de mando foi se aperfeiçoando, passando pelos feudos que nada mais eram que os mesmos mandos, os mesmos poderes absolutos mas um pouco melhorados em face dos sentimentos religiosos e outros mais transcendentais às verdades materiais.
A Democracia já é o aperfeiçoamento do exercício do poder, cujo início aconteceu com antigos povos gregos, onde, grandes pensadores fizeram prosperar e desenvolver a arte de bem pensar, onde o tratamento das doenças teve o seu grande berço, onde o direito viu seu nascedouro, onde a filosofia teve seu alvorecer, enfim, foi na antiga Grécia que a humanidade começou a ver o luzeiro do seu diferencial com os demais animais que habitavam a terra.
Os grandes pensadores da época passaram a discutir as formas de governo, surgindo daí a palavra “democracia” cujo nascedouro é das palavras gregas “demo” e “kracia” que, respectivamente, significam povo e governo. Essa mesma democracia teve seu embrião com os pensadores gregos, no entanto, na própria Grécia antiga o seu exercício era muito restrito, incipiente e destituído do princípio fundamental da máxima que a Democracia é uma forma de governo “do povo para o povo”.
A definição hodierna também é que a Democracia é uma forma de governo do povo e para o povo.
No Brasil, graças a Deus, os fundamentos democráticos, que são a base de um país livre, assim dizem em seu parágrafo único do artigo primeiro da Constituição Brasileira: “Todo o poder emana do povo...”
Esse princípio democrático, sem dúvida é o melhor sistema de governar porque, fundamentalmente, exige o respeito às individualidades, à liberdade incondicional, no entanto, de seu bojo resultam as corrupções que campeiam nossos meios políticos, os atos mesquinhos do submundo das negociatas às custas do erário público. A corrupção deslavada e rejeitada pela opinião pública é a grande arma que fere mortalmente nossa moral e nossos desejos de sermos bons, de sermos justos e de sermos perfeitos.
Nessa semana participei de um jantar/palestra, na cidade de Lages, promovido pela ACIL – Associação Empresarial de Lages – com o Governador João Raimundo Colombo.
Confesso que fiquei satisfeito com sua eleição, no entanto, um tanto cético quanto a melhoria do quadro político estadual devido ao emaranhado de partidos políticos aos quais esse jovem Governador está compromissado.
Estive presente ao evento – ouvi atentamente ao seu empolgado pronunciamento expresso num linguajar simples, de fácil entendimento e dito com o coração. Confesso que saí com enormes esperanças de que algo poderá acontecer para começar a mudar e para melhorar a política catarinense.
Sua definição de pedir um prazo de cento e vinte dias para analisar o governo em suas entranhas, onde disse que o staff governamental está dialogando com todos os órgãos, conversando com todos, tudo analisando. Sua definição para após esse período percorrer todas a SDRs e todos os Secretários, Governador, Responsáveis pela Administração pública analisar “in loco” cada hospital, cada presídio, cada Órgão, conversar com os operadores da máquina pública. O grande mote desse dinâmico Governador é levar a cada funcionário público o pedido encarecido do “bem atender” e que cada um trabalhe com o coração. Quer o Governador acumular reservas agora para quando começar a investir em Santa Catarina, o seja bem investido. Investir no que é prioritário para o bem comum. Investir mantendo o equilíbrio entre as regiões, investir abandonando definitivamente com a “politicalha” das benesses e dos interesses fisiológicos partidários. Culminou o Governador em afirmar que é de conhecimento público que todos os partidos políticos enfrentam os mesmos problemas da desconfiança do eleitor.
Confesso que voltei a entusiasmar-me com a possibilidade de termos uma gestão governamental realmente voltada para o que é prioritário para Santa Catarina, por uma governança no Estado extirpada dos interesses particulares dos que mais podem, dos apaniguados e dos que detêm os feudos de votos de obrigação, de favores promíscuos e de mazelas inaceitáveis. Torço muito para que esse nosso Governador faça jus à honradez de sua palavra de homem sério que sempre foi, de político afinando com as coisas do interesse comum e das coisas sérias. Se assim o fizer marcará história na política Catarinense. A minha dúvida ainda persiste porque não sei se seu poder de fogo será suficiente para romper os interesses eminentemente políticos das camarilhas que o cercam. Tenho dúvidas se terá forças suficientes para eliminar esses projetos criados para sustentação de campanhas eleitorais travestidos de Órgãos descentralizados. Espero que minhas dúvidas não tenham razão de ser. Siga em frente Governador seu desafio é enorme mas confiamos em sua mão forte e em seu coração vibrante.   

publicado no jornal O CATARINENSE - ano XI - nº 514 - 08.04.2011.

Um comentário:

Unknown disse...

Sr. Flavio, tenho esperança que o Governador possa realmente fazer uma administração para quem mais precisa e consiga se desvencilhar desse emaranhado de favores que deve, pois, somente conseguiu sua eleição devido a esse golpe de mestre do LHS em criar SDR´s por todo o estado, um verdadeiro cabide de empregos e diretórios regionais.