O dia onze de setembro ficou marcado na vida de grande parte do mundo. Para uns como um forma de vingança que representou o extravasamento das iras insanas tidas nas gargantas daqueles que olham para os Estados Unidos da América como a representação do mal. Muita pena tenho eu desses que assim pensam porque estão lançando o fel de suas entranhas para mostrar ao mundo suas mágoas internas, suas invejas "enrustidas" e suas incapacidades expostas.
publicado no jornal O CATARINENSE - ano XI - nº 536 - 09/09/2011.
Para outros foi a marca de uma nova era onde ficou patente a fragilidade do ser humano, das instituições e dos órgãos destinados à segurança dos povos. Vimos uma nação inteira prostrada ante ataques sanguinários quando, em poucos segundos, vimos mortas, de forma brutal, 2.996 pessoas. Vimos aflorarem os heróis de um mundo moderno surgidos do povo. Vimos órgãos, antes tidos como a vanguarda da segurança, no entanto, diante da surpresa caíram por terra todos seus princípios e todas suas teorias. Vimos homens comuns salvando estranhos, vimos várias dezenas de pessoas que se sacrificaram para evitar um desastre muito maior como foram os passageiros do vôo que fora seqüestrado para atacar a Casa Branca. Graças a esses verdadeiros heróis o intento teve o seu desfecho frustrado. Esses são verdadeiros heróis que devem sempre ser reverenciados por todos os povos.
A partir daquele onze de setembro a vida dos americanos teve um novo marco zero. Pior, muito pior que o desastre daquele fatídico dia é a síndrome do medo e da insegurança que se instalou no mundo. Nos nossos dias vê-se claramente o pânico instalado no semblante de cada americano com o medo de novos atentados, iminentes desastres. Vê-se crianças ferindo crianças, vê-se adolescentes manejando armas e ferindo os seus semelhantes. Vê-se o grande diferencial nos aeroportos do mundo onde ao se passar detetores de armas os cidadãos de todos os sexos são obrigados a tirar seus cintos, seus sapatos, sendo vistoriados por detetores que, via raio X, expõe o corpo humana e suas intimidares. Tudo em nome da segurança. Em qualquer cidade estranha temos o medo do assalto, temos o horror do estupro, temos a síndrome do medo calcada em nossos subconscientes.
E o meu amigo SERRA, o que tem a ver com isso?
Nada, salvo a data - 11 de Setembro - data do seu aniversário.
Serra, como o conhecemos em Fraiburgo - Serramalte como era famoso nos velhos tempos em que, em 1966, foi Campeão Estadual de Futebol pela equipe da Perdigão, de Videira e atleta do Internacional de Lages que, em 1964, tornou-se Vice-Campeão também Estadual - Jaiminho - para sua amada mãe e familiares - "Jaimeo" como era chamado por alguém que já foi de Fraiburgo nos idos tempos.
Sempre falo com muito orgulho que eu sou um cara muito feliz porque tive a graça de Deus de ter sete irmãos de sangue maravilhosos, no entanto, também tive a felicidade de ter uma plêiade de grandes amigos e, dentre os quais, uns poucos que os considero irmãos de coração porque os escolhi como irmãos. São aqueles com quem convivo sempre. São aqueles que me abraçam fortemente quando estou muito triste e se choro, comigo eles choram verdadeiramente. São aqueles que, quando estou alegre eles comigo brincam, comigo comemoram e comigo também choram com minha alegria. Esses são meus especiais amigos, esses são os irmãos que eu os escolhi e eles me escolheram para ser seu irmão. O SERRA é um desses meus amigos especiais que o escolhi como meu irmão e ele escolheu-me como seu irmão.
Muitas historias e outras estórias maravilhosas juntos passamos. Incontáveis foram as vezes que juntos choramos abraçados. Coração encostado em coração. Alma sintonizada com alma. Sentimento de irmão sentindo como irmão.
Eu, o Serra e mais uma dúzia de outros irmãos de coração, ou um pouco mais, ou um pouco menos, há varias décadas de anos juntos passamos em jantares ao som do violão choroso do meu também irmão de coração Xanca. Lá expulsamos nossas tristezas. Tamanho era nosso envolvimento com a carninha bem assada, a pinguinha do alambique, a polenta bem cozida, o "totcho" que só kuke sabia fazer, arroz carreteiro do Xanca, a farofa, o pinhão sobre o fogão de lenha. Tudo era maravilhoso. Até hoje os nossos sítios são o ponto de encontro onde falamos mal da vida alheia, onde reformamos o mundo, onde elegemos e destituímos políticos. E o Serra é o eterno companheiro com quem nós podemos contar para as coisas boas e para as coisas ruins. Esses são verdadeiros amigos e irmãos prontos para o que precisarmos. Meu amigo e irmão Serra, parabéns pelo teu aniversario e quero que você saiba que aqui em Fraiburgo você tem amigos e tem irmãos que nossos corações escolheram. Queremos que esses oitenta e cinco anos, ou um pouco mais ou um pouco menos, quiçá bastante menos, não sei, seja a idade da tua plena felicidade porque queremos que essa felicidade seja a tua mais constante companheira.
publicado no jornal O CATARINENSE - ano XI - nº 536 - 09/09/2011.
Um comentário:
Sr. Flavio, lendo esse post lembrei de alguns comentários que meu pai fazia sobre o Serra. Ele também gostava muito do Serra e fiz questão de dizer isso ao Serra no velório do pai.
Eu admiro essa amizade de vocês.
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