domingo, 1 de maio de 2011

FERNANDO COLLOR – socorroooooo ...

No ano de 1990, quando Fernando Collor de Mello ainda era Presidente do Brasil, em uma viagem a Europa, num evento em que experimentou automóveis de primeira linha, manifestou sua opinião comparativa entre os automóveis da Europa, Estados Unidos e outros países desenvolvidos com uma frase que marcou história no mundo das notícias, das fofocas e, principalmente, no Brasil, qual seja – “comparados com os carros do mundo desenvolvido, os carros brasileiros são verdadeiras carroças”.
Naturalmente que no Brasil, essa afirmação do Presidente, caiu como uma bomba utilizada nas mais variadas formas – para a oposição foi um prato cheio de nacionalismo exacerbado com pronunciamentos ante os holofotes midiáticos, procurando com isso uma luz aos seus planos políticos – para as montadoras brasileiras foi a mais profunda das ofensas com reconhecimento solidário dos sindicatos patronais e dos trabalhadores vinculados a essas mesmas organizações, eminentemente de interesses econômicos dos países desenvolvidos – para os partidos políticos de oposição foi mais uma oportunidade populista dada de bandeja por aquele que representava o poder – Fernando Collor de Mello.
Anos passaram – os mercados foram sendo mais competitivos – o câmbio brasileiro sendo flexibilizado e a concorrência dos automóveis do primeiro mundo sendo mais acirradas aqui no Brasil.
Aquelas montadoras que ficaram injuriadas com a pecha lançada pelo Presidente do Brasil, paulatinamente, adequaram-se ao mercado e atingiram, hoje, uma qualidade bem melhorada, comparada às reais carroças de outrora. Collor tinha muita razão quando lançou aquela frase ante uma plateia de jornalistas ávidos por furos de reportagens. A crítica foi generalizada com a afirmação de um Presidente também já desgastado pelas acusações que contra si eram lançadas, no entanto, os automóveis da época eram sim “verdadeiras Carroças”. Isso ficou comprovado com o desenvolvimento dos automóveis fabricados atualmente no Brasil e, mais ainda, quando comparados com certos automóveis importados. Digo-vos mais, nossos automóveis ainda são carroças se os compararmos aos preços dos automóveis dos Estados Unidos ou mesmo da Europa. Nos países desenvolvidos os custos dos automóveis, comparados aos equivalentes no Brasil são assombrosamente mais baratos.

FERNANDO COLLOR – SOCORROOOOO – por favor socorra-nos novamente como fizeste ao lançar a frase dizendo que nossos automóveis eram verdadeiras carroças – SOCORROOOOO – salve-nos agora dos aviões das companhias da aviação brasileira. Hoje tenho vergonha de viajar de avião – estamos nos utilizando das piores carroças para nos conduzir pelos ares do Brasil – não aguento mais essa afronta – é uma pouca-vergonha – viaja-se em aviões com assentos muito mais desconfortáveis que as piores cadeiras das residências mais humildes – viaja-se enlatado - com assentos de largura ínfima – espaço insuficiente onde uma pessoa com metro e oitenta e acima simplesmente não tem lugar para mover-se – colocar as pernas – ler? Esqueça – descansar os braços? Utopia – conversar só olhando para frente porque se mover os ombros já perde o lugar para o passageiro que está grudado nos teus braços, digo “teus braços” porque quem está no assento do meio fica com os dois braços prensados pelos outros dois passageiros. – vergonha – vergonha.
Dia desses, eu fui de avião de Curitiba a Goiânia e quase morri – meu nervo ciático atingiu seu clímax na arte de judiar-me – as minhas partes glúteas tornaram-se insensíveis – minha coluna fez seu teste máximo para ver até que ponto eu suporto a dor – enfim, senti o martírio dos inocentes submetidos aos antigos suplícios – um verdadeiro horror.
Por outro lado, após a fatídica viagem de avião, dei continuidade à viagem a Rio Verde, naquele mesmo Estado, em ônibus direto – Goiânia/Rio Verde – Ar condicionado perfeito – assentos largos com espaço entre as pernas – muito macios – perfeitamente ergonômicos – meu ciático acalmou – minha coluna rejuvenesceu – a sensibilidade voltou aos meus glúteos.
Enfim meu ânimo foi reconquistado, minha autoestima aos poucos foi sendo recuperada e o ônibus, numa viagem maravilhosa, permitiu-me a um repouso reparador enquanto viajava eu rumo ao sudoeste Goiano. Pensava eu, que num passado muito distante o avião era o sonho de todos nós como símbolo de viagem confortável. O viajar de avião representava o viajar com mordomias, conforto de pessoas bem aquinhoadas, ter oportunidade de desfrutas do bem-estar dos ricos e dos poderosos. Ônibus? Esses representavam o transporte dos pobres daqueles que sequer possuíam automóveis. Pois bem, digo-vos hoje tudo inverteu. Viaje de avião e viaje estressado. Avião de carreira representa o atraso, a pouca vergonha. O ônibus representa o bem-estar - nem todos ainda porque no nosso interior muitos ônibus representam a sujeira e o desconforto. Ônibus está sempre melhorando – avião sempre mais despreocupando-se com a qualidade dos serviços prestados.

publicado no jornal O CATARINENSE - ano XI - nº 519 - 13.05.2011.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu, que nem de longe sou do tipo que se mostra favorável a ostentações (mesmo que tivesse condições), também me envergonho com as condições precárias da aviação brasileira. Acho que respeito ao usuário é fundamental, seja qual for o meio por ele utilizado. Mesmo com uma certa baixa de preços que possibilitou mais acesso, ainda temos as passagens aéreas lá pelas mais caras do mundo. Cai o preço, mas cai mais ainda a qualidade do serviço. Os aviões da Gol são mais apertados que ônibus.

Mais um desrespeito ao povo brasileiro.