sábado, 22 de janeiro de 2011

Para meus filhos e meus netos com amor ......

Nós, seres humanos, trazemos conosco gravado em nossas almas o sentimento gregário de nossos unirmos em sociedade, cercando-nos dos nossos, nutrindo sempre mais os mais profundos sentimentos de amor recíproco onde os corações unem-se aos corações a almas cada vez mais arraigam-se aos seus.
Assim somos nós. Quando moço, encontrava-me eu na solidão de meus sonhos de jovem que almejava formar uma família linda, plena de sentimentos cristãos, com condições financeiras que nos permitissem ter uma vida de gente simples mas feliz. O tempo passou, a Carolina passou por minha vida como uma suave nuvem inebriante, levando-me para o caminho do amor profundo e da paz de espírito. O tempo passou e duas almas se uniram numa paixão mantida pelo amor verdadeiro que nos envolveria por meio século de mútuo respeito e mútua admiração.
Disso, meus filhos já tem conhecimento, no entanto, aos meus netos tenho a dizer que a minha união com vossa querida avó foi uma união de espírito e de mútuo conhecimento, onde o amor foi a grande tônica. Quero dizer a vocês, meus netos queridos, (naturalmente que esse termo é genérico, porquanto inclusa minha neta amada) que em próximo a quarenta e dois anos de casados eu nunca deixei de beijar a minha esposa querida ao sair de casa, no meu retorno, quando das viagens e das voltas aguardadas ansiosamente pela minha querida Carolina.
Digo-vos meus netos queridos que nesses quase quarenta e dois anos de união minha com a nossa amada Carolina eu jamais deixei de dar-lhe um presente no dia do seu aniversário, no dia da mulher, no dia da mãe, no dia de natal ou mesmo da páscoa, sempre lembrei-me da minha querida com flores e presente no dia dos namorados, e, meus queridos netos, sempre tive o presente maior e que eu mais esperava que era o seu beijo apaixonado, em retribuição aos meus carinhos. Jamais esquecerei, meus queridos, seu jeitinho meigo de aproximar-se de mim e, bem pertinho do meu corpo, achegava-se ela, erguia seu rosto e, com os olhos fechados, beijava apaixonadamente em retribuição à minha demonstração de amor.
Digo-vos mais meus netos, sempre assim o fizemos, mesmo nos momentos de rusgas naturais entre casais, beijando-nos reciprocamente quando saiamos ou voltávamos para casa.
Digo-vos meus netos que nos momentos difíceis da vossa avó, lá sempre estava eu em primeiro lugar para junto participar da sua dor, para levar o lenitivo da minha presença, para mostrar a ela que jamais estaria sozinha. Digo-vos meus netos que nos mais de seis anos de sua fatídica enfermidade sempre estive eu presente levando-a para os médicos, levando-a para os exames, acompanhando em suas quimioterapias, transfusões, cirurgias, internamentos, exames. Em absolutamente todos esses eventos sempre fiz a mais absoluta questão de a levar, de a acompanhar de estar ao seu lado para anima-la, dar-lhe forças e dar-lhe a demonstração de amor.
A avó, meus queridos netos terminou seu tempo aqui na terra e foi ser o nosso anjo no céu. Agora podemos falar que nós temos mais um anjo a olhar para nós e por nós intervir junto a Deus. Digo-vos meus netos que ser arrancada da minha convivência aquela que eu muito amava está sendo a coisa mais difícil de conviver nessa nova fase de minha vida. A vida a sós.
Digo-vos meus netos amados que, em minha solidão, em minha casa, fico horas simplesmente de olhos fixos naquele porta-retratos digital onde as fotos da minha querida Carolina vão sucedendo-se nas mais de duzentas fotos preparadas especialmente para que não nos esqueçamos nunca daquela que muito nos amou.
Podeis ter a mais absoluta certeza, meus netos, que a avó Carolina sempre será meu único amor como mulher e como companheira.
O mundo, no entanto faz suas engrenagens girarem e nós devemos seguir com nossas vidas para cumprirmos nossa missão na terra até terminarmos nosso tempo e assim é que estou fazendo, procurando cumprir plenamente minha missão aqui na vossa companhia, na companhia de meus filhos, dos meus amigos e das minhas amigas.
Digo-vos mais, atualmente, os meus amigos e minhas amigas estão sendo o meu sustentáculo para eu não entrar na mais profunda das depressões. Digo-vos que a presença dessas pessoas são minhas grandes bengalas de sustentação e com as quais procuro dividir minhas horas de lazer em minhas própria casa, na casa deles ou mesmo em locais de diversão pública. Estarei muitas vezes acompanhado de amigos, mulheres amigas, para juntos nos divertirmos e espantarmos nossas depressões. Assim, meus diletos netos e filhos, espero que me entendam e vejam isso como o encontro de uma maneira de sobreviver e espantar a minha solidão. Beijos a vocês e que Deus vos dê sempre a virtude e a capacidade de entender certas atitudes minhas. Que Deus vos abençoe.

2 comentários:

Unknown disse...

E com esse exemplo, com certeza Deus me abençoou e terei um amor eterno e cheio de paz, assim como vocês tiveram!
Te muito e pra sempre, independente de qualquer coisa...

Raquel disse...

Dr. Flávio...muito lindo de sua parte essa conversa com os seus...
pessoas que fazem parte de sua vida como netos, filhos e familia em geral...
Sua família continuará lhe respeitando e amando com certeza...
Pois o Sr. fez sua parte com muito amor por sua inesquecível esposa, e isso jamais será esquecido...pode ter certeza...
hoje... o Sr. ficou e será muito amado e consolado por sua mui digna familia!
Deus esteja orientando e consolando sempre essa familia que sofreu tamanho golpe...sei bem o que é perder um irmão e a mãe ...eu quem o diga!
Mas posso tbm garantir que em nenhum momento Deus nos desamparou...
Por isso...estejam o Sr. e sua familia , guardados debaixo da potente mão de Deus!
Meu carinho...

Raquel